O Decreto nº 6.479, de 16 de maio de 1907, criou a Diretoria-Geral do Serviço de Povoamento com o objetivo de supervisionar e organizar os trabalhos relacionados à imigração e colonização, promovidos ou apoiados pelo governo federal.
A Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores, situada na Baía de Guanabara, começou a ser construída em 1883 para receber os estrangeiros que chegavam ao Rio de Janeiro, especialmente para trabalhar nas lavouras de café. A entrada massiva de europeus no país esteve diretamente relacionada à política de substituição da mão de obra negra e escravizada, intensificada a partir de 1850 com a promulgação da Lei Eusébio de Queirós e da Lei de Terras. O objetivo era atrair e controlar a composição da população brasileira, promovendo a inserção de pessoas brancas europeias para, progressivamente, reduzir a presença negra no país. Para isso, o Estado desenvolveu uma complexa estrutura administrativa, que incluía hospedarias voltadas especificamente aos imigrantes.
É equivocado pensar que o fim da escravidão representou liberdade para os milhares de trabalhadores e trabalhadoras negras que já viviam no Brasil. A ideologia do branqueamento seguiu operando, articulada ao discurso de "civilização" da nação. Com a Proclamação da República, a
Um exemplo é o Decreto nº 528, de 28 de junho de 1890, que institucionalizou o processo de branqueamento da população brasileira ao permitir a entrada livre de trabalhadores europeus para substituir a mão de obra de pessoas negras recém-libertas.